A série gira em torno de um homem com uma doutrina de vida não muito usual, ele é um serial killer, um psicopata, mas que nos faz refletir sobre a nossa vida, refletir sobre esse lado sombrio que todos temos, o "Passageiro Sombrio" nomeado por ele.
Por um momento trágico no início de sua vida a série dá a entender que desenvolve-se uma necessidade de matar e uma total privação de sentimentos no personagem. Seu pai começa a perceber esse lado, e avalia que tal comportamento não pode ser corrigido, então, como bom pai, e bom policial, preocupa-se em ensinar o personagem a sobreviver, a nunca ser pego pela polícia, como interagir com as pessoas socialmente e o mais importante, o "Código", segundo o qual Dexter escolheria suas vítimas com base em diversos critérios, sendo os mais importantes: ter total certeza que a vítima cometeu um ou mais homicídios e que não foi condenada por isso. Temos então um vigilante, um "bom" assassino.
Já adulto, ao descrever como ele via o seu comportamento, Dexter surge com o conceito de passageiro sombrio, algo obscuro, no âmago do ser, que sempre está lá, controlado, quieto, esperando a próxima oportunidade de assumir as rédeas. Ninguém pode evita-lo: o descontrole momentâneo da mente, o desejo em seu primário estágio, a essência podre que tentamos esconder, que não falamos sobre.
E então o passageiro vem, todo o seu discernimento, suas experiência passadas, suas esperanças, suas memórias e certezas desaparecem e no lugar da razão encontra-se o desespero, a desconfiança, o descontrole, a agonia, as ilusões, a ansiedade,o ciúmes, a solidão e o berro vindo de algum lugar de dentro que te diz que isso não é bom, que isso não te leva a lugar nenhum, mas em um primeiro momento você não consegue se livrar, você é um animal sedento por qualquer que seja o seu sangue momentâneo, você briga com quem gosta, você maltrata quem não merece, você mata as relações que te cercam, você se sente indigno de amor, tudo desmorona, e o que resta, você.
O passageiro é uma parte de nós, de vários formatos e jeitos em cada um, manifestando-se em diferentes tempos, mas é inerente e inevitável. Descobri-o quando mudei-me para São Paulo, talvez por não estar mais rodeado de rostos conhecidos, por não ter o conforto e a segurança de espírito que tinha na minha cidade natal.
Confesso que detesto sentir tudo o que descrevi ou partes daquilo, mas tenho que aprender a viver com isso, há alguns tropeços, é claro, mas não seria esse o ideal? Ter uma bagagem, criar uma resistência que seja suficiente para que isso não atrapalhe a nossa vida, a nossa felicidade e, sobretudo, a nossa sanidade?
E é essa a luta que eu , você e o magnífico personagem travamos diariamente, é só parar para olhar.
Cheers
ResponderExcluiramoor, naum é roubar ... é furtar :D
ResponderExcluirShow Julião, deita moleque!
ResponderExcluirfoda sem maldade!
ResponderExcluirCara seus assuntos estão soberbos hj....
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